Vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) disse nesta terça-feira (18) que seu comentário de que casas com mães e avós são "fábrica de desajustados" para o tráfico de drogas foi apenas uma constatação. A declaração, dada nesta segunda-feira (17) em palestra no Secovi, órgão representativo da construção civil em São Paulo, repercutiu negativamente. 
A presidenciável Marina Silva (Rede), por exemplo, chamou de "afronta". 
"[O Brasil vive uma] Crise psicossocial. Uma crise de valores que afeta a nossa sociedade, que atingiu a família. Ontem [segunda], em uma exposição similar a essa, eu deixei claro que esse atingimento da família é muito mais crucial nas nossas comunidades carentes, onde a população masculina em grande parte está presa, ligada à criminalidade ou já morreu, e deixa a grande responsabilidade de levar a família à frente nas mãos de mães e avós. Um órgão de imprensa publicou que eu estava criticando as mulheres. Não estou criticando. Estou fazendo uma constatação de algo que ocorre notadamente nas nossas comunidades carentes", disse o militar.
"Essas mães e avós saem para trabalhar, a grande maioria são cozinheiras e faxineiras, lidam com a dureza da vida o tempo todo, e não têm com quem deixar seus filhos, porque o Estado não está presente para dar uma creche em tempo integral onde essa criança permaneceria. Essa criança vira presa para o tráfico. Essa é a visão", completou em palestra na ACSP (Associação Comercial de São Paulo).